sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

"... Você é um amálgama excepcional de forças veementes... Nós não falamos em termos de responsabilidade. Assim, muitos fatores estão mediando. Fomentando. Promulgando. CADA UM É DIFERENTE. Um bilhão de pequenas coisas despercebidas pelo objeto de sua influência... Elementos negativos e positivos lutam, e nós só podemos olhar para eles, e nos maravilhar ou lamentar. Algumas vezes, você pode ver um caso claro de confronto entre anjo e abutre."
(Saul Bellow)

Nesse belo e eterno confronto aprendo que sou de carne e osso. Graças a Deus! Muito mais, infinitamente mais do que a soma das partes. Um dia há de se conviver respeitando os seus espaços e sendo felizes. É... felizes acho que não! Mas compreensíveis talvez.


sexta-feira, 13 de novembro de 2009



Ainda que muito difícil, ela não paralisou mais ao se mostrar. Ser desnudada assim tão subitamente, não lhe é de costume. Mas assim a vida fez, só pra lhe mostrar mais uma vez, que arriscar é preciso, mesmo que para isso, ela necessite penosamente, cair infinitas vezes para seguir de maneira mais firme.
E foi numa dessas que ela chorou. Chorou ao se dar conta da imensurável dor das quedas. Paradoxalmente, aquelas lágrimas também eram de uma estranha alegria... Surgiu então em seu pensamento uma conclusão inesperada: “é... agora eu posso me ver!”. Essa possibilidade também a fez ser vista como nunca antes.
Em alguns momentos no decorrer da sua história meio apagada, ela se esbarrou em oportunidades parecidas como aquela, mas, de fato, nunca sentira aquela coragem de forma tão consciente como naquele dia. Agora era ela uma mulher cuidando de sua criança ferida... E podia ver isso.
Nessa de pensações e sensações, um frio arrepiou os seus pelos porque foi percebido que até então, não se tinha lugar. Os lugares que se ia, sempre e inexoravelmente eram os que permitiam a ela – e que ela ia sem pestanejar. Assim, consequentemente havia ali uma omissão de responsabilidade em impor-se como ela essencialmente era. Uma responsabilidade sobre si mesma.
Hoje ela caminhou e caminha bastante, apesar de nela (de) morar ainda uma amarga culpa. Ainda precisa aprender a se perdoar, a se aceitar também em seus erros... Desafrouxar carinhosamente, afetuosamente os seus laços, sentindo os seus mais tenros nós. E assim poder ser mais livre.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Sereu.

Tenho sonhado com tempestade... Uma amiga acha que são as reviravoltas que andam acontecendo. Mas o certo é que ando mesmo envolta num caos. Tudo ao mesmo tempo. O medo, as surpresas, as superações, as decepções, as desconstruções, as construções e as reconstruções. Ficar nessa casa vazia vem me enchendo de possibilidades. As diversas formas de ser uma... Sem largar a mesma, ainda que por apego inseguro. Assim nesse barco venho me levado para caminhos nunca imaginados. Tenho olhado para trás e percebido que andava adormecida e a sensação é de acordar com o sol batendo na cara... Chamando a acordar. Entristece perceber que só abri a janela agora, mas não tem como voltar no tempo, refazer o nunca feito. Não há mais chance.
E é nesse fogo que venho colocando minha mão. E nesse temor de ser capaz, tenho sido. Surpreendente como não me conheciam. Mas também eu não conhecia a mim então quem mais poderia? Não é mesmo?! (a la Regininha!). Agora eu sigo. Respiro fundo... Não seguro mais meu lado sombrio. Resolvi deixar sair! Minha máscara de boazinha anda indo embora e tenho percebido que não preciso mais dela. Posso ser má de vez em quando, dizer não quando em vez... E ainda sim, ser amada até por mim. Serei boa quando isso for real. E só assim. Quando o coração pedir, quando eu sentir que é pra ser. De resto, danem-se. Serei o meu samba, o meu medo de raio, meus vestidos curtos, minha desatenção, meu choro desatado, minha cara distraída, meu riso desmedido, meus amigos, minhas incertezas e meus calundus. Serei a minha própria cachaça.
Só assim eu posso estar nesse lugar que chamam de mundo. Com licença, por favor... Eu quero entrar! Entrei. E quem quiser também, puxa o banco que a casa é grande e é toda nossa.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Sei lá... até que de vez em quando.

"Ele me deu um beijo na boca e disse
A vida é oca como a toca
De um bebê sem cabeça
E eu ri a beça
E ele: como uma toca de raposa bêbada
E eu disse: chega de tua conversa
De poça sem fundo
Eu sei que o mundo
É um fluxo sem leito
E é só no oco do seu peito
Que corre um rio
Mas ele concordou que a vida é boa
Embora seja apenas a coroa:
A cara é o vazio
E ele riu e riu e ria
E eu disse: Basta de filosofia"


(Caetano)
trecho da canção "Ele me deu um beijo na boca"

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Desatando.



Mate um leão por dia, se assim for preciso... Mas que isso não seja um fardo. Acabe aos poucos com aquilo que não te faz mais crescer. Bata, espanque, chute – mesmo que simbolicamente – até você sentir que aquilo já não tem mais o nível de importância que tinha antes. Entre em crise! Ouça uma música nas alturas. Chore na sua cama que é lugar quente e se permita está em si mesmo, mesmo! O que é que tem?
Se relacione também! Esteja presente no trabalho, nos estudos, com os amigos, com mãe, pai, namorado(a). Lute por aquilo que acredita – mas não seja radical não – Os extremos sempre cegam e se cai na mesma maldita ignorância.
E não tente agradar pra ser aceito! Pelo amor de Deus... Pelo seu próprio amor e pelo amor a outrem. Quem tenta agradar não é visto! E quem não se deixa ser visto como é não pode viver de verdade, em verdade. Inventa uma mentira que se encerra nela própria.
É isso.


sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Alter.

Ao longo da vida estamos sempre tendo possibilidades de encontro com o outro e conseqüentemente, possibilidades de crescimento. Porém, aprender que as fontes que nos geram sofrimento, nos fazem em algum momento crescer, é mais difícil do que se imagina (eu nunca imaginei que seria tão complicado) . No entanto, penso que se faz necessário para não passarmos pela vida sem tê-la vivido em toda a sua essência. Sofrer, assim como ser feliz, nos torna inteiros nessa existência que só é possível porque estamos abertos para o outro e para tudo que ele traz consigo. Ai, de repente, nasce essa tal da alteridade (risos). Nas palavras de Luís Cláudio Figueiredo:

"Ora, sustentar-se nesse existir no mundo – e só assim se existe – exige um espaço de separação e recolhimento, de proteção, que não encerre o existente em uma clausura, mas lhe ofereça uma abertura limitada (portas e janelas) a partir do qual sejam possíveis encontros – saídas e entradas – em que se reduzam os riscos dos “maus encontros” [...]. Portas e janelas por onde uma verdadeira alteridade possa insinuar-se e eventualmente impor-se. "


E é nesse encontro com o outro que eu posso enfim, ser eu mesma e, ainda assim, não ser nunca a mesma.



sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Será assim.

"Os outros lugares são espelhos em negativo. O viajante reconhece o pouco que é seu descobrindo o muito que não teve e o que não terá." (Ítalo Calvino)

E aos poucos a gente vai saindo daquele beco escuro que parecia não ter mais fim. Começamos a por os pés na terra e alimentar nossa raiz com nós mesmos... Descobrimos que o corpo que pesava, imerso naquela penumbra, é o mesmo que nos ergue e que nos mantém sustentados para seguir. Ai então é hora de olhar para dentro. Sentir toda a tristeza de um fim, toda a angústia de um luto e toda a imensidão de um recomeço. Mais fortalecidos da dolorosa queda, pegamos toda a nossa bagagem – aquela que tínhamos antes de viajar – Juntamos com o que podemos levar daquele marcante lugar e pegamos um vôo para um destino que é incerto.
Certos de que não somos mais os mesmos, seguimos vivendo. E começamos mais uma vez, prontos para vermos o sol nascer, a tarde cair... Para estarmos inteiro em outros lugares ainda não desvelados e para inclusive, não termos medo de cair de novo.